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Publicada em 25/07/20 as 12:33h por Dom José Roberto Fortes Palau - 70 visualizações


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Mosteiro de São Bento - em São Paulo  (Foto: pinterest)
De perseguida, a Igreja passou a ser tolerada. O monge ocupou o lugar do mártir como testemunha da fé e das realidades sobrenaturais, mediante a renúncia à vontade própria. Os cristãos que queriam ser fiéis à vida ascética da primeira Igreja achavam necessário retirar-se do mundo. Evdokimov anota: “Não é mais o mundo pagão que persegue e elimina o mártir; é o eremita quem toma a iniciativa do ataque e elimina o mundo de seu próprio ser”.

A vida religiosa passou a ser uma forma peculiar de ser cristão e durante séculos a espiritualidade leiga foi uma transposição ou cópia do modelo monástico. A vida monástica é o cerne da literatura espiritual, ressaltando a beleza da santidade e os meios para desenvolvê-la. 

O elemento distintivo do monaquismo é a separação do mundo para a busca da união com Deus numa vida de oração e de penitências. No início, a vida monástica era estritamente contemplativa e eremítica. Esse estilo de vida começou no Egito, com Paulo de Tebas e Antão, cujas longas vidas abarcam todo o período do monaquismo primitivo (251-356). A vida do eremita ou do anacoreta consistia em práticas penitenciais, trabalho manual, meditação da bíblia e recitação de jaculatórias. Nestas pessoas está o desejo de viver com radicalidade o evangelho, contemplar constantemente a Deus através da oração intensa, combater as paixões carnais, sempre vistas como tentação do demônio e, principalmente, como modo novo de viver o martírio, a imolação de si. O monge é aquele que, à exemplo do mártir, oferece integralmente sua vida a Deus.

Pacômio (+ 348) e Basílio (330-379) introduziram mudanças na vida monástica, dando origem ao estilo cenobítico. Embora separados do mundo e entregues a uma vida de oração, os monges deviam viver em comunidade e exercer um apostolado (em geral, de direção espiritual) compatível com a vida estritamente contemplativa. E com a introdução da vida comum para os monges, dá-se grande ênfase à obediência ao abade, e a vida monástica torna-se mais estruturada.

Muitas práticas dos mosteiros pacomianos foram depois adotadas pelas ordens monásticas e mendicantes da Igreja do Ocidente: o período de postulantado e noviciado antes da profissão dos votos; o voto da comunidade para a admissão dos noviços à profissão; a promessa de obediência à regra; a importância da observância do silêncio; o longo jejum e a abstinência total de carne e vinho.

O monaquismo do século IV estava no auge inclusive na Igreja do ocidente, especialmente em Roma, mas recebeu um novo impulso quando pessoas como Atanásio (+ 373) e Cassiano (+ 414) introduziram na Igreja latina as práticas do monaquismo oriental. Mas o aspecto eremítico da vida monástica nunca foi tão próspero no Ocidente quanto o era no Oriente. De fato, depois que ingressou no Ocidente, o monaquismo oriental logo se ocidentalizou. Segundo Cassiano, o objetivo da vida monástica é a perfeição interior do monge, mas essa perfeição consiste na caridade e não no modo monástico de vida, enquanto tal.

Diferentemente de Cassiano, Santo Agostinho (+ 430) desenvolveu um tipo original de vida comunitária, um monaquismo clerical que abandonou gradativamente o objetivo contemplativo para concentrar-se no ministério pastoral. Agostinho entendeu a vida no mosteiro como busca comum de Deus, mas posteriormente finalizou-a como serviço à Igreja: missão de doar Cristo ao mundo. No mosteiro renuncia-se ao interesses próprios para se viver a caridade. E para se atingir a caridade necessita-se da oração: o desejo de Deus é a oração. A caridade é a regra por excelência da vida espiritual. A caridade (o amor social) prefere as coisas que se podem desfrutar em comum às coisas próprias (amor privado) e entende-se como amor a Deus e ao próximo:  “Medireis o avanço na vida espiritual pelo cuidado que poreis nas coisas comuns”. A caridade é o grande paradigma da vida espiritual: “Conhece a Deus quem o ama, não quem o estuda”. Agostinho espalhou as sementes da vida canônica, que só vieram a desabrochar plenamente no século XI, com o aparecimento dos ‘cônegos regulares’.

A nota dominante do monaquismo no Ocidente foi o aspecto contemplativo, que foi preservado e incrementado por São Bento (480-547), o pai do monaquismo ocidental. Ele aperfeiçoou, com certa independência, as regras de Pacômio e Basílio. A união de trabalho e oração (ora et labora) constituiu o aspecto novo do monaquismo beneditino; no Oriente o trabalho só preenchia os momentos livres do monge. Também para melhor proteger o monge do mundo e para prevenir o envolvimento dos monges num apostolado externo, Bento acrescentou à vida dos ‘beneditinos’ o voto de estabilidade.

Os monges beneditinos eram, em sua maioria, leigos; o dia alternava-se entre o ofício divino, o trabalho manual e a formação espiritual. A oração é a ‘Opus Dei’, a ocupação principal do monge. Na oração a mente deve concordar com os lábios. Para a oração, Bento se concentra no ofício divino, mas também dá espaço à oração silenciosa. A familiaridade com Deus é favorecida pela assiduidade da "Lectio Divina". Para Bento a humildade é o fundamento e o sustentáculo da vida monástica. Ele traça uma escala de perfeição, fundada no exercício da humildade, como ascensão à plenitude do amor.

A regra de São Bento consta de 73 capítulos. A regra organiza a vida de um cenóbio; por isso, a espiritualidade beneditina tem um caráter comunitário. A idéia mestra é que o monge é um cristão coerente, que leva a sério os compromissos batismais. A regra nada mais é que uma espécie de código sintetizado das virtudes dentre as quais se destacam: a obediência, o silêncio e a humildade com seus graus.

São Bento fala de doze graus de humildade, como etapas da vida espiritual, que se sucedem cronologicamente, a ponto de se perceber os progressos na passagem do primeiro ao segundo grau. O primeiro grau é o temor de Deus, isto é, o início do processo de conversão: evitar o pecado e praticar as virtudes. Os três graus sucessivos de humildade levam o cristão ao despojamento de si mesmo: abandonar os desejos pessoais, obediência a um superior e suportar com paciência as contrariedades da vida. É uma ótima preparação para viver em comunidade. O quinto, sexto e sétimo graus intensificam o despojamento interior (liberdade interior) do monge.

Ser flexível aos irmãos, dobrar-se à suas justas exigências, sem fazer das idéias próprias medidas absolutas, é sinal, condição e consequência da humildade. Seu grau mais alto é a obediência sem hesitação, pois isto é próprio daqueles que não amam nada nem ninguém acima de Cristo. O monaquismo beneditino foi um dos fatores mais importantes da civilização e evangelização da Europa.





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